NOSSO PESO E OS MAUS HÁBITOS MODERNOS

Redação | 12:58 Deixe seu comentário
É evidente que nem precisaríamos de dados numéricos para nos dar conta ídemia de obesidade é um fenômeno atual. Basta olhar álbuns de  fotografia e assistir a filmes antigos para verificar que nas ruas das cidades  quase não havia mulheres, e os homens eram magros.

Há 50 anos, eram poucas as mulheres no mercado de trabalho, e a divisão de responsabilidades era clara: ficavam (e ainda ficam, na maioria das sociedades) a seu encargo os cuidados com a casa e a família Já os homens tinham como tarefa central prover o sustento do lar.

Além disso, como as técnicas de produção, armazenamento e distribuição de alimentos eram rudimentares em comparação com as de hoje, a alimentação era proporcionalmente mais cara do que atualmente e consumia boa parte do orçamento doméstico.

Esses fatores, aliados à existência de poucos restaurantes e casas de lanches a preços acessíveis, obrigavam a família a fazer as refeições em casa: arroz, feijão, salada, legumes e um bife pequeno -- a base da dieta brasileira.

Ao ir e vir para casa, numa época em que o automóvel era inacessível à classe média e a eletrônica não fazia parte da rotina de ninguém, não havia alternativa senão percorrer longas distâncias a pé, tomar ônibus e bondes, carregar compras e subir escadarias.

O gasto obrigatório de energia na execução dessas tarefas, combinado à frugalidade das refeições, preparadas artesanalmente pela mulher, criava barreiras à disseminação da obesidade.

Não que inexistissem pessoas obesas, mas seu número era limitado aos herdeiros de genes desfavoráveis, capazes de aumentar muito a probabilidade è acumular gordura no corpo.

A partir da segunda metade do século XX, ocorreram mudanças sem paralelo no estilo de vida da população: os habitantes da zona rural migraram em massa para as cidades; as mulheres conquistaram cada vez mais espaço no mercado de trabalho; a eletrônica invadiu o cotidiano; o fluxo de informações adquiriu velocidade vertiginosa, com enorme impacto na divulgação de novos costumes; o automóvel tomou conta das ruas; e os avanços tecnológicos proporcionaram conforto e facilidades diárias jamais sonhadas por nossos avós.

Como conseqüência da fartura e da tecnologia, grande parte das pessoas, em todo o mundo, passou a comer mais e a andar cada vez menos.

Não há exemplo na história de uma época em que tantos tiveram acesso tão fácil a alimentos de alto teor calórico, à custa de tão pouco esforço físico.

Drauzio Varella e Carlos Jardim
A partir do livro "Obesidade e Nutrição" (Coleção Dr. Drauzio Varela - Editora Gold)
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