DIETA DO CORAÇÃO EMAGRECE E COMBATE DOENÇAS

Redação | 20:27 Deixe seu comentário

Um programa alimentar consagrado no controle da hipertensão acaba de ser eleito a dieta mais completa do planeta

Toda polícia tem uma tropa de elite ou uma unidade de forças especiais, convocada para as missões mais difíceis e delicadas. Os americanos contam com o poder de fogo e a perícia da Swat e, no Brasil, conflitos críticos são resolvidos pelo Bope. O mundo da nutrição também dispõe de um esquadrão de peso, com direito a uma sigla própria e a um arsenal que, em vez de armas, está cheio de grãos, frutas e companhia. Trata-se do Dash, programa alimentar criado nos Estados Unidos há 14 anos e encarregado de desarmar bombas nos vasos sanguíneos. Se traduzirmos livremente do inglês, esse nome significa dieta para combater a hipertensão. Mas, nos últimos tempos, seu poderio provou que não se resume a baixar a pressão arterial.
Médicos e nutricionistas renomados foram convidados pela revista americana U.S. News a eleger a dieta mais saudável do mundo. A Dash desbancou outros 19 cardápios, entre eles a dieta do Mediterrâneo, e ficou com o primeiríssimo lugar. Essa escolha, é claro, pede uma pergunta: afinal, o que a Dash tem que os outros menus não têm? Antes de respondê-la, cabe voltar ao passado e vasculhar seus feitos no contra-ataque à hipertensão. “Esse programa, criado por quatro universidades americanas em parceria, é baseado em critérios científicos rigorosos e seus resultados, mensurados por pesquisas, superaram as expectativas, sendo similares à ação de remédios para a pressão”, resume a ópera o cardiologista Heno Lopes, do Instituto do Coração de São Paulo e autor do livro A Dieta do Coração, publicado por SAÚDE. Quanto à arma secreta da Dash, Lopes aposta no predomínio de frutas: “Elas fornecem muitos antioxidantes, substâncias que atuam na camada interna dos vasos e os deixam mais relaxados e menos expostos a placas”. É uma estratégia perfeita para frustrar infartos e derrames.

A nutricionista Camila Gracia, da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, acredita no fator praticidade. “É um cardápio de fácil adesão, sem grandes restrições”, afirma. E também destaca o espaço reservado a leites e derivados magros. “Eles fornecem cálcio, mineral que ajuda a controlar a pressão e o peso”, diz.

Os especialistas ainda elencam entre os pontos fortes da Dash a alta oferta de grãos e hortaliças, redutos de fibras que são pouco calóricos. “Os vegetais garantem a esse plano alimentar uma grande quantidade de potássio, mineral que favorece o relaxamento dos vasos”, aponta a nutricionista Camila Torreglosa, do Hospital do Coração, em São Paulo. A Dash, para completar, reforça como nenhuma outra a ingestão de nozes, castanhas e amêndoas. “Além de minerais que combatem a hipertensão, elas têm gorduras do bem que melhoram a fluidez do sangue”, diz Camila. Mas outra característica da Dash, diametralmente oposta à sua rival mediterrânea, é moderar nos óleos. O esquadrão não tolera pratos muito gordurosos.

As qualidades mencionadas nos permitem entender, de quebra, por que esse menu tem vocação para atuar contra o excesso de peso. Um estudo da Universidade de Boston, nos Estados Unidos, que acompanhou durante dez anos quase 2 300 meninas adolescentes, mostra que aquelas que seguiam mais de perto o modelo Dash engordaram menos ao longo da década. Embora o resultado prestigie a dieta, Heno Lopes lembra que, para enxugar as medidas de forma satisfatória, esse programa tem de ser adaptado a um esquema de restrição calórica. “Pessoas acima do peso devem maneirar nas oleaginosas, que são grandes fontes de calorias”, exemplifica Camila Gracia. E, como a Dash já ensina, cortar carnes e queijos gordos.

Nos últimos meses, surgiram evidências de que o esquadrão anti-infarto merece ser chamado para salvaguardar o corpo de quem tem diabete. Em outra enquete da U.S. News, experts em nutrição alçaram a Dash à condição de melhor cardápio para o controle do açúcar no sangue. “As principais recomendações para o diabético são fracionar a alimentação ao longo do dia e consumir fibras. Ambas são contempladas por esse programa”, avalia a nutricionista Camila Leonel de Abreu, da Universidade Federal de São Paulo. Como se sabe, as fibras encontradas nos vegetais reduzem a absorção de glicose no intestino e promovem saciedade — e tudo isso resulta em taxas de açúcar mais equilibradas.

Se não bastasse quebrar o esquema de fatores de risco que culminam em ataques ao coração, ao cérebro e aos rins, a Dash ainda promete entrar na guerra contra o câncer. “Alguns trabalhos sugerem que essa dieta teria um papel na prevenção de tumores, especialmente o de intestino”, conta Heno Lopes. Mas ainda faltam estudos de longo prazo que legitimem esse potencial. O benefício, nesse caso, viria do conjunto de nutrientes já anunciados, sobretudo os antioxidantes, que servem de guarda-costas às células, evitando sua degradação — o primeiro passo para o surgimento de um tumor. Como você pode perceber, a Dash tem tudo para mostrar que missão dada é missão cumprida. E, enquanto ela aguarda novas condecorações, não seria nada mau convocá-la para a sua rotina.
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